Guia prático para gente entusiasmada em conhecer rápido e mergulhar no estilo, pessoas sem brio suficiente para se aprofundar e pessoas que simulam curiosidade somente para pentelhar.
Foto documental, sem neutralidade
01 / Diferenças com a OSR
No que Oil Fantasy é diferente da OSR?
01
Diferenças entre OSR e Oil Fantasy
Em primeiro lugar, você precisa definir OSR. Carne de pescoço.
OSR é um movimento, uma comunidade que comporta diversas ideias de jogo e jogabilidades. Oil Fantasy é uma proposta de estilo organizada, focada em ideias específicas de jogabilidade. Como não dá para comparar banana com relógio de pulso, destacamos ideias comuns na OSR e as colocamos diante dos princípios de Oil Fantasy.
02
Foco e adversarialidade
Ninguém é imparcial. Neutralidade é uma ilusão.
O mestre traz o melhor desafio, com limites claros. O jogador tenta superá-lo. Sem obrigação de contar história, entregar experiência ou cumprir arcos: todo o resto acontece — ou não — naturalmente a partir do jogo focado no desafio.
03
Delimitação do desafio
Riscos e oportunidades conjugadas em um contexto rico.
A ficção é construída por desafiados e desafiante na dialética criativa. Deixa o jogo fluir: o desafio não precisa vir pronto só porque os bonecos devem rodar na sua pista amaldiçoada.
04
Poder criativo
O jogador disputa a ficção e provoca o mestre.
Enquanto gerir os riscos, mantém controle sobre o fluxo do jogo. Quando os jogadores mandam muito bem, o mestre terá dificuldade de fazer o desafio cantar. O jogo é esse.
05
Arbitragem negocial
Impasse se resolve de forma coletiva.
Enquanto a OSR costuma focar em decisões unilaterais do mestre — rulings, not rules — Oil Fantasy usa uma arbitragem dialética a partir da ficção, eventualmente parametrizada pelas ferramentas do jogo.
06
A lei da mesa
Prep nem módulo são repertório lúdico.
As verdades são estabelecidas a partir do que é dito em mesa. Deixe a ficção emergir da mesa e da disputa, não da sua zona de conforto.
07
Centro de interface
Os sentidos dos personagens renderizam o espaço simulado.
Jogadores interagem com o ambiente descrito e provocam nova ficção. O mestre também cria a partir dos sentidos dos personagens: só faz parte do mundo o que eles testemunham — e seus indícios.
08
Limites
Verossimilhança e agência são os limites.
Liberdade, informação e impacto sustentam a agência. Qualquer participante pode vetar o inadmissível para suas sensibilidades sobre o mundo — mas, num jogo de fantasia, a verossimilhança é bem elástica.
09
Uso das regras
Menos caixa de ferramentas, mais canivete suíço.
Oil Fantasy restringe as ferramentas: um número limitado de regras, usadas de maneira flexível e conhecidas por todos.
10
Transparência
Não rola dado atrás do escudo.
O mestre sinaliza riscos e oportunidades, dialoga sobre parâmetros, dificuldades e impacto. Confiança é que nem amor, meu chapa: não se pede.
11
Anti-mecanicismo
Mecânicas são fixas; ferramentas são maleáveis.
O uso mecânico é reservado a regras acordadas no início da campanha. 1 XP = 1 PO é mecânica. Rolagem de iniciativa é ferramenta.
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Quebra dos procedurais
Não vamos sufocar o diálogo.
Não seguimos estrutura de rounds, turnos, iniciativa, ordem de ataque de maneira engessada; a ficção costuma determinar com tranquilidade quem age quando, a sequência das ações etc. Deixe a conversa fluir, ela costuma ser suficiente.
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Minimalismo
Falar menos abre espaço para disputar a ficção.
Descrição enxuta permite engajamento ativo e torna contextos ricos mais rápidos de alcançar para um bom desafio.
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Feedbacks na mesma língua
A mesa conversa sobre a mesma ideia de jogo.
Feedbacks partem dos mesmos princípios, tornando a conversa mais produtiva e acelerando a melhora da mesa.
02 / Perguntas incômodas
Perguntas comunssobre Oil Fantasy
01
O que é Oil Fantasy?
Uma proposta de gameplay para D&D clássico: uma coleção de boas práticas coerentes entre si, sob princípios particulares. É cagação de regra para o bem.
02
Como as arbitragens não viram infinitas regras da casa?
A ficção raramente se repete, então as arbitragens também não precisam. Os riscos são parametrizados de maneira negocial com um conjunto limitado de ferramentas do D&D BX — a lógica do canivete suíço.
03
Posso usar em outros sistemas além de D&D BX e retroclones?
Pode, mas o estilo foi pensado, experimentado e talhado sobre esse jogo. Quanto mais distante, mais difícil aplicar e menos sentido faz. Cuidado com a Polícia do RPG.
04
Quanto menos dados se joga, mais Oil Fantasy é o jogo?
O estilo não se importa com isso, mas se os dados aparecem quando um risco pode vir à tona, muitas rolagens talvez indiquem jogadores mandando mal - ou muito sortudos.
05
Como usar a ficção para construir desafios?
Com calma. Deixe as situações ganharem complexidade e dê corda aos jogadores. Quando o contexto estiver rico, alguma oportunidade terá servido de isca e algum risco estará pronto para ser acionado.
06
Encontro aleatório resolvido com fuga pode retornar?
Se o risco se concretizou e não foi inteiramente anulado, ele pode voltar no pior momento possível. É risco assumido.
07
Qual a diferença entre mestre adversarial e mestre babaca?
Não são dois tipos de mestre. Um joga dentro de uma proposta; o outro tem um problema social. Não tente resolver problemas sociais por via lúdica.
08
Combates são jogados de maneira mais conservadora?
Não. O jogo inteiro segue o mesmo fluxo e regime lúdico. Os riscos aumentam; os jogadores que afiem suas facas na gestão de riscos.
09
Pessoas tímidas acabam jogando menos?
Talvez. Mas, se estão confortáveis com sua timidez, cobrar eloquência é que sufoca. Se a mesa garante agência a todos, está ótimo.
10
Oil Fantasy só funciona em fantasia medieval?
Foi feito para fantasia medieval e esse funcionamento podemos garantir. O resto é muita coisa para cravar.
11
O desafio máximo deixa os jogadores paranoicos?
Pode deixar, mas o mestre também respeita verossimilhança e agência. Riscos são antecipados para permitir interação. Vale prestar atenção ao diálogo e seguir tranquilo.
12
O mestre é obrigado a dizer sim?
Não, sobretudo ao trazer um desafio preparado. Mesmo assim, dizer o máximo de sim possível enriquece o contexto e facilita até os desafios preparados anteriormente.