Um guia nada imparcial

Oil Fantasy4 Dummies

Guia prático para gente entusiasmada em conhecer rápido e mergulhar no estilo, pessoas sem brio suficiente
para se aprofundar e pessoas que simulam curiosidade somente para pentelhar.

Rafael Balbi rangendo os dentes em uma colagem OSR versus Oil Fantasy
Foto documental, sem neutralidade
01 / Diferenças com a OSR

No que Oil Fantasy é diferente da OSR?

01

Diferenças entre OSR e Oil Fantasy

Em primeiro lugar, você precisa definir OSR. Carne de pescoço.

OSR é um movimento, uma comunidade que comporta diversas ideias de jogo e jogabilidades. Oil Fantasy é uma proposta de estilo organizada, focada em ideias específicas de jogabilidade. Como não dá para comparar banana com relógio de pulso, destacamos ideias comuns na OSR e as colocamos diante dos princípios de Oil Fantasy.

02

Foco e adversarialidade

Ninguém é imparcial. Neutralidade é uma ilusão.

O mestre traz o melhor desafio, com limites claros. O jogador tenta superá-lo. Sem obrigação de contar história, entregar experiência ou cumprir arcos: todo o resto acontece — ou não — naturalmente a partir do jogo focado no desafio.

03

Delimitação do desafio

Riscos e oportunidades conjugadas em um contexto rico.

A ficção é construída por desafiados e desafiante na dialética criativa. Deixa o jogo fluir: o desafio não precisa vir pronto só porque os bonecos devem rodar na sua pista amaldiçoada.

04

Poder criativo

O jogador disputa a ficção e provoca o mestre.

Enquanto gerir os riscos, mantém controle sobre o fluxo do jogo. Quando os jogadores mandam muito bem, o mestre terá dificuldade de fazer o desafio cantar. O jogo é esse.

05

Arbitragem negocial

Impasse se resolve de forma coletiva.

Enquanto a OSR costuma focar em decisões unilaterais do mestre — rulings, not rules — Oil Fantasy usa uma arbitragem dialética a partir da ficção, eventualmente parametrizada pelas ferramentas do jogo.

06

A lei da mesa

Prep nem módulo são repertório lúdico.

As verdades são estabelecidas a partir do que é dito em mesa. Deixe a ficção emergir da mesa e da disputa, não da sua zona de conforto.

07

Centro de interface

Os sentidos dos personagens renderizam o espaço simulado.

Jogadores interagem com o ambiente descrito e provocam nova ficção. O mestre também cria a partir dos sentidos dos personagens: só faz parte do mundo o que eles testemunham — e seus indícios.

08

Limites

Verossimilhança e agência são os limites.

Liberdade, informação e impacto sustentam a agência. Qualquer participante pode vetar o inadmissível para suas sensibilidades sobre o mundo — mas, num jogo de fantasia, a verossimilhança é bem elástica.

09

Uso das regras

Menos caixa de ferramentas, mais canivete suíço.

Oil Fantasy restringe as ferramentas: um número limitado de regras, usadas de maneira flexível e conhecidas por todos.

10

Transparência

Não rola dado atrás do escudo.

O mestre sinaliza riscos e oportunidades, dialoga sobre parâmetros, dificuldades e impacto. Confiança é que nem amor, meu chapa: não se pede.

11

Anti-mecanicismo

Mecânicas são fixas; ferramentas são maleáveis.

O uso mecânico é reservado a regras acordadas no início da campanha. 1 XP = 1 PO é mecânica. Rolagem de iniciativa é ferramenta.

12

Quebra dos procedurais

Não vamos sufocar o diálogo.

Não seguimos estrutura de rounds, turnos, iniciativa, ordem de ataque de maneira engessada; a ficção costuma determinar com tranquilidade quem age quando, a sequência das ações etc. Deixe a conversa fluir, ela costuma ser suficiente.

13

Minimalismo

Falar menos abre espaço para disputar a ficção.

Descrição enxuta permite engajamento ativo e torna contextos ricos mais rápidos de alcançar para um bom desafio.

14

Feedbacks na mesma língua

A mesa conversa sobre a mesma ideia de jogo.

Feedbacks partem dos mesmos princípios, tornando a conversa mais produtiva e acelerando a melhora da mesa.

02 / Perguntas incômodas

Perguntas comunssobre Oil Fantasy

01

O que é Oil Fantasy?

Uma proposta de gameplay para D&D clássico: uma coleção de boas práticas coerentes entre si, sob princípios particulares. É cagação de regra para o bem.

02

Como as arbitragens não viram infinitas regras da casa?

A ficção raramente se repete, então as arbitragens também não precisam. Os riscos são parametrizados de maneira negocial com um conjunto limitado de ferramentas do D&D BX — a lógica do canivete suíço.

03

Posso usar em outros sistemas além de D&D BX e retroclones?

Pode, mas o estilo foi pensado, experimentado e talhado sobre esse jogo. Quanto mais distante, mais difícil aplicar e menos sentido faz. Cuidado com a Polícia do RPG.

04

Quanto menos dados se joga, mais Oil Fantasy é o jogo?

O estilo não se importa com isso, mas se os dados aparecem quando um risco pode vir à tona, muitas rolagens talvez indiquem jogadores mandando mal - ou muito sortudos.

05

Como usar a ficção para construir desafios?

Com calma. Deixe as situações ganharem complexidade e dê corda aos jogadores. Quando o contexto estiver rico, alguma oportunidade terá servido de isca e algum risco estará pronto para ser acionado.

06

Encontro aleatório resolvido com fuga pode retornar?

Se o risco se concretizou e não foi inteiramente anulado, ele pode voltar no pior momento possível. É risco assumido.

07

Qual a diferença entre mestre adversarial e mestre babaca?

Não são dois tipos de mestre. Um joga dentro de uma proposta; o outro tem um problema social. Não tente resolver problemas sociais por via lúdica.

08

Combates são jogados de maneira mais conservadora?

Não. O jogo inteiro segue o mesmo fluxo e regime lúdico. Os riscos aumentam; os jogadores que afiem suas facas na gestão de riscos.

09

Pessoas tímidas acabam jogando menos?

Talvez. Mas, se estão confortáveis com sua timidez, cobrar eloquência é que sufoca. Se a mesa garante agência a todos, está ótimo.

10

Oil Fantasy só funciona em fantasia medieval?

Foi feito para fantasia medieval e esse funcionamento podemos garantir. O resto é muita coisa para cravar.

11

O desafio máximo deixa os jogadores paranoicos?

Pode deixar, mas o mestre também respeita verossimilhança e agência. Riscos são antecipados para permitir interação. Vale prestar atenção ao diálogo e seguir tranquilo.

12

O mestre é obrigado a dizer sim?

Não, sobretudo ao trazer um desafio preparado. Mesmo assim, dizer o máximo de sim possível enriquece o contexto e facilita até os desafios preparados anteriormente.

04 / Depoimentos

Quem leu, avaliou e decidiu por você

01
"Oil Fantasy é igual a OSR, mas escrito de forma rebuscada."
— Teteu do paladar infantil
02
"Tudo que você precisa saber sobre já está no Quick Primer for Old School Gaming"
— Carlão sabe o que é melhor pra você
03
"Não faz sentido algum porque nos anos 80 ninguém jogava assim"
— Dom Mesbla, sdds do que não viveu
04
"Só usa termos difíceis"
— Carlinha, só lê as figura
05
"Chupinhado de PbtA"
— Welberson, hater gratuito
06
"Falta fundamentos claros, muda ao bel prazer"
— Lu, indecisão
07
"Não goza de uma epistemologia formalizada"
— Mingau, se esforçando pra falar mal
08
"Li todos os posts, vi todas as lives, vi todos os vídeos, ouvi todos os podcasts, assisti todos os gameplays e odiei"
— Magaloo, para quando quiser